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‘The Cure’ fala mais sobre amor próprio do que amor romântico

  • Foto do escritor: giovannamoliveira
    giovannamoliveira
  • 26 de mai.
  • 4 min de leitura

Lançado na sexta-feira, 22 de maio, o segundo single do álbum ‘you seem pretty sad for a girl so in love’ traz um estilo melancólico dentro do pop rock tão característico de Olivia Rodrigo. Com uma letra extremamente sentimental, Olivia tenta expressar o sentimento tão comum de esperar ser curada de seus medos e inseguranças ao ser amada romanticamente.


Não é a primeira vez que Olivia traz uma letra falando abertamente sobre suas inseguranças. Comparação com outras mulheres é um tópico recorrente nas canções dos seus dois primeiros álbuns. Seu single de estreia, ‘drivers license’, já transmitiu o sentimento nos primeiros segundos de música, no polêmico trecho: “Você provavelmente está com aquela garota loira que sempre me fez duvidar. Ela é bem mais velha que eu, ela tem tudo que me torna insegura


Em ‘obsessed’, Olivia conta que se compara constantemente com a ex de seu namorado, dizendo sobre como sabe todos os detalhes da garota e está obcecada por ela. Já em ‘brutal’, a narrativa é sobre todas as impressões negativas que a cantora tinha se si mesma aos 17 anos, contando como está constantemente ansiosa e como gostaria de ser melhor do que é, já que acredita que ninguém gosta dela. ‘jealousy, jealousy’ narra exatamente o sentimento de ficar constantemente se comparando com outras pessoas, especialmente as que você só vê através da internet: “a comparação está me matando aos poucos, acho que penso demais sobre pessoas que nem me conhecem”.


Amar aos outros mais do que a si mesma

lacy’, quarta música do álbum ‘GUTS’ descreve uma garota que é perfeita aos olhos de Olivia Rodrigo. Bonita, inteligente, de pele clara e macia, ela é tudo que Olivia queria ser e não pode. Numa primeira ouvida, pode parecer uma música sobre inveja, que, pra alguns, chegou até a soar como rivalidade feminina, mas ‘lacy’ vai muito além disso. 'lacy' é sobre olhar tanto pro outro que você começa a se diminuir, não é mais sobre comparação, e sim sobre desgosto pela sua própria imagem.


E esse desgosto volta em ‘pretty isn't pretty’, penúltima música do mesmo álbum. Pessoalmente, acho que essa é a música mais real e dolorosa da Olivia. O trecho do pré-refrão: “Tem sempre algo faltando, tem sempre algo no espelho que parece errado. Quando beleza não é beleza o suficiente, o que você faz?” une todas as ideias contadas anteriormente. Olívia diz que parou de comer, comprou remédios pra emagrecer, mas quando todo mundo tá fazendo e funciona, parece que o erro é você. E não adianta fugir, a comparação vem de todos os lugares: dos pôsteres nas paredes, das revistas, do celular, dos meninos com quem ela sai, não adianta fugir porque está na cabeça dela. “Eu corri atrás de um ideal idiota a vida inteira, e nada disso importa, nada disso acaba. Você só se sente uma merda de novo e de novo”.


Voltando a ‘the cure’, muitas pessoas interpretaram a música sobre mais uma das músicas sobre término, como se o amor da pessoa não fosse o suficiente para Olivia, mas a música vai muito além disso. Não é sobre ele, mas sim sobre ela. Existe uma crença entre as mulheres de que, quando outra pessoa te amar, você vai conseguir se amar também, como se o amor do outro pudesse curar seus medos e inseguranças. E Olivia jura que tentou, chegou a achar que finalmente tinha encontrado o antídoto para sua doença (descrita como “cabeça cheia de veneno e coração cheio de dúvidas”), mas a verdade é que amor não é capaz de te curar.


Na psicologia, há uma definição para o amor-próprio que depende da opinião de terceiros para existir: autoestima contingente. Diferente da autoestima estável e saudável que vemos como comum, a autoestima contingente se baseia na avaliação externa, então elogios, afeto e validação aumentam sua autoestima, mas, em contrapartida, qualquer mínima crítica ou comparação pode destruir tudo que você havia enxergado de positivo em você.


Amor-próprio é muito difícil de conquistar. Especialmente vivendo os 20 e poucos anos, na era da internet e dos procedimentos estéticos. É difícil não se comparar com pessoas nas redes sociais, queremos jogar o celular do outro lado do quarto cada vez que abrimos o Instagram e vemos alguém vivendo uma realidade completamente diferente da nossa, que sempre parece tão melhor, tão mais certa. Todo mundo parece viver a vida perfeita, exceto você. Mas o que a gente não sabe é que essas pessoas "perfeitas" também estão constantemente ansiosas, se comparando, se sentindo insuficientes e fazendo todos os procedimentos estéticos possíveis pra serem enxergadas como desejam. E, infelizmente, o amor não pode curar isso.


Como Olivia diz em  'the cure', há algo que faz bem pra ela naquele amor, de alguma forma, ser amada, ajudou sim. Afinal, ter alguém pra dizer que suas inseguranças são apenas inseguranças e que as pessoas te veem de um jeito positivo pode te ajudar a equilibrar o veneno da mente com a realidade, mas ainda assim não impede que o veneno exista. A cura não vem num passe de mágica, e é um processo que precisa acontecer de dentro pra fora. Talvez, a gente deva pensar mais na letra de ‘girl i’ve always been’: “talvez eu não seja perfeita, mas eu sou a garota que eu sempre fui”.


Seja pelos ritmos de pop rock ou pelas letras tão fáceis de se identificar, Olivia Rodrigo vem sendo porta-voz de uma geração de garotas ansiosas, que buscam incessantemente por um amor e por si mesmas. E eu acho que isso é lindo.


Olivia lança seu novo album ‘you seem pretty sad for a girl so in love’ em 12 de Junho.


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