top of page

'O Diabo Veste Prada' é o filme mais realista já feito

  • Foto do escritor: giovannamoliveira
    giovannamoliveira
  • 20 de mai.
  • 3 min de leitura

E todo mundo deveria assistir nos seus vinte e poucos anos.


Quando eu era pequena, adorava assistir ‘O Diabo Veste Prada’ com a minha mãe. E acho que metade das meninas do mundo também, especialmente as que cresceram e agora fazem faculdade de comunicação. A vida em Nova Iorque, trabalhando numa revista de moda e ganhando várias roupinhas de graça? Se essa não era a vida perfeita, era impossível imaginar o que seria.


Mas eu passei alguns anos sem lembrar desse filme e só fui rever com 23 anos, a mesma idade da Andy Sanches (a protagonista) e comecei a perceber que talvez esse filme fosse muito mais do que apenas moda e cenas icônicas. 


Esse filme é bom porque, por mais fora da nossa realidade que ele seja, ele é realista.


A Andy é realista. Ela acabou de sair da faculdade, era conhecida por ser a garota prodigio, ganhando prêmios universitários e tendo a promessa de um futuro brilhante pela frente. Mas ela tá lascada de grana, mandando currículo pra todos os lugares do mundo, mesmo aqueles que não tinham nada a ver com ela, tipo a Runaway.


Aquela revista não tem nada a ver com sua personalidade, ela nem sabe o que é, mas o desespero pra pagar as contas faz com que ela se arrisque, tentando ao menos fingir que tem alguma ideia do que está fazendo e de quem é. E essa é a coisa que mais me pegou nesse filme: a Andy, a protagonista, não tem a menor ideia de quem ela é. 


Ela está completamente perdida na vida e tentando se encaixar numa realidade que não é a dela. Mudando seus gostos, personalidade, crenças e até seus ideias pra ser parte do grupo que parece saber o que tá fazendo.


E foi ai que o filme deixou de ser entretenimento barato dos anos 2000 e se tornou um dos meus top4 do letterboxd.


Ter 20 e poucos anos é sinonimo de estar perdido. E eu sei que parece que todo mundo sabe exatamente o que tá fazendo, mas, amiga, eu juro que é tudo aparência. Assim como a Emily, que parecia ser uma pessoa super experiente, conhecedora de tudo, mas não era nada além de uma menina insegura, que mal comia pra se encaixar nos padrões irreais que foram inventados pela mídia e está constantemente tentando agradar todo mundo enquanto se sente insuficiente.


Quando a Andy conhece a Emily, ela vê alguém em quem se inspirar e comparar, e a Emily vê a mesma coisa, mas de um jeito completamente diferente. E esse é o segundo ponto que me atrai tanto nesse filme: a maneira como a inveja é mostrada. Andy tem inveja de Emily, e usa esse sentimento como combustivel para melhorar e crescer. Já a primeira-assistente deixa que esse sentimento faça ela se afundar em raiva, ansiedade e comparação.


A Andy começa a mudar seu comportamento, externalizando uma personalidade que se torna cada vez mais parecida com a da Emily: uma subordinada arrogante, extremamente preocupada com aparência e sem vida pessoal. Já Emily, externaliza cada vez mais a ansiedade, insegurança e o medo a derrubem, se assemelhando mais a primeira versão da Andy.


E a mesma coisa acontece com a Miranda. A imagem dela de mulher poderosa e arrogante foi tão bem construída que eu simplesmente não conseguia lembrar de quão vulneravel ela se apresenta em Paris: sem maquiagem, o rosto cansado usando pijamas, o olho inchado de chorar. Miranda também usa das aparências como uma máscara. Afinal, a vida é feita de máscaras.


Eu amo como todo mundo é ruim nesse filme. Todo mundo tem seus motivos, sonhos, ambições e medos, então todas as ações podem ser justificadas quando analisamos de fora. Mas ninguém é bonzinho. 


E meio que essa é a vida. Ninguém é bom na vida real. Enquanto você reclama que alguém está puxando seu tapete, você está pisando no calo de alguém. A vida é assim e eu demorei muito pra entender que não existe perfeição na realidade.


No fim do filme, a Andy tá numa entrevista de emprego e, falando sobre seu tempo na Runaway, ela diz que estragou tudo. O cara responde que pediu as referências dela e recebeu um fax da Miranda dizendo que a assistente foi sua maior decepção, e que por isso deveria contratá-la. O que me leva a outra reflexão: o quanto dos nossos erros são mesmo erros e quantos são acertos que não atingiram as nossas expectativas? 


Eu acho que erro muito, mas as pessoas ao meu redor discordam. Dizem que eu sou perfeccionista. E talvez eu seja mesmo, assim como a Andy, mas pra errar é preciso tentar e tentar nunca pode ser considerado um erro.


Rever ‘O Diabo Veste Prada’ nos seus 20 e poucos deveria ser obrigatório, esse filme é uma aula sobre psicologia, personalidade, vida adulta e claro, moda. No mais: me levem pra ver O Diabo Veste Prada 2.



Comentários


Mantenha-se atualizado

Obrigado pelo envio!

  • Ícone do Instagram Branco
  • LinkedIn
  • Spotify
  • TikTok

© 2026 por Giovanna Machado. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page