Com empates contra campeãs, Cabo Verde é zebra na Copa do Mundo de 2026
- giovannamoliveira
- há 1 dia
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Atualizado: há 7 horas
Seleção estreante no mundial tem chamado atenção por seus talentos e histórias

Chamar um time de "zebra" é um jeito de dizer que seus resultados são inesperados, surpreendentes e praticamente impossíveis. O termo surgiu graças ao jogo do bicho, que tinha 25 animais em sua lista oficial de apostas e não incluía a zebra, sendo assim, um resultado impossível. Depois de um empate (0-0) contra a Espanha, campeã de 2010, e outro empate (2-2) contra o Uruguai, bicampeão de Copas do Mundo, a seleção de Cabo Verde está chamando a atenção pela maneira como jogam e pelo valor que o país dá ao futebol.
Cabo Verde é um país formado por ilhas que fica à costa da África Ocidental. Declarou independência em 1975, criando sua seleção de futebol logo em seguida, em 1978. O desenvolvimento do time não envolve apenas o esporte, mas também uma relação política que engrandece a cultura do país.
Formado por 9 ilhas habitadas por cerca de 500 mil pessoas, o país tem uma relação antiga com o futebol, que inclui também muita admiração pelo Brasil. As referências são muitas, desde os talentos brasileiros que inspiraram jovens cabo-verdianos, até times com nomes e escudos similares aos brasileiros, como o atual vencedor da Supertaça de Cabo Verde, o Palmeira, ou o time da ilha de São Vicente: o Sport Club Corinthians de São Vicente. E a final do campeonato acontece sempre no mesmo dia: 4 de julho, dia anterior ao feriado de independência do país.

E agora, o futebol de Cabo Verde entra pra história com seu primeiro gol em Copas. Marcado no segundo jogo, por Kevin Pina aos 20 minutos. O gol veio de uma cobrança de falta da intermediária, com apenas dois jogadores uruguaios na barreira. O chute de Pina atravessou os defensores e acertou a rede, marcando um momento histórico pro país.
Pina tem 29 anos e nasceu em Praia, capital de Cabo Verde. O volante joga pelo Krasnodar, time da Rússia, desde 2022, mas sua história com o esporte começou em uma escolinha de futebol do seu bairro, onde ia apenas para assistir aos treinos, até um dos jogadores faltar e o professor o convidar para participar. Desde então, vive do futebol.
Cabo Verde também valoriza sua diáspora, os nativos que se mudaram para o exterior e seus descendentes. Há uma “força tarefa” para encontrar talentos que possam engrandecer o futebol do país. É o caso do zagueiro, Roberto “Pico” Lopez, que, apesar de ter nascido na Irlanda, é filho de um cabo-verdiano. Pico jogava pelo Shamrock Rovers, time da liga irlandesa, quando recebeu uma mensagem do treinador da seleção de Cabo Verde, Rui Águas. A grande questão é que a mensagem chegou através do LinkedIn, rede que quase não usava, e em português, idioma que não falava.
Crendo ser spam, Pico ignorou a mensagem. Até que 8 meses depois Águas entrou em contato novamente, dessa vez em inglês, fazendo com que Pico pesquisasse a tradução do primeiro recado e passasse a fazer parte da seleção cabo-verdiana. "Poder representar minha família jogando pela seleção e poder levar o nome da nossa família a um dos maiores eventos esportivos do mundo me enche de orgulho", disse Pico.
Outro jogador que chamou a atenção do público internacional foi Vozinha, goleiro. Muitos jogadores de Cabo Verde se mudam cedo para seguirem a carreira em outros lugares, mas ao contrário da maioria, Vozinha permaneceu no país até os 25 anos, se mudou para Angola e logo em seguida voltou para Cabo Verde para atuar pela seleção. Aos 40 anos, o goleiro integra o time há uma década e é um dos talentos mais antigos da equipe.

Vozinha sempre foi visto como muito competitivo, já que ficava bravo ao perder até no futebol de rua na infância. E é daí que vem o apelido, já que foi criado pelos avós e, ao perder nos jogos, ia para casa “para os braços da Vozinha”. Hoje, o atleta é um dos fenômenos da copa e principal nome da seleção, mas continua competitivo: “Nós viemos aqui para competir. Sabemos que somos de um país pequeno, que está aqui pela primeira vez. Todos os dias trabalhamos muito, e temos feito um trabalho de longos anos para estar nesse palco”, disse em entrevista após o empate 2 a 2 com o Uruguai.
E o empate veio graças a um jogador que quase não integrou a seleção de Cabo Verde: Hélio Varela, de 24 anos. Hélio havia sido convocado pela seleção para o Campeonato de Nações Africanas de 2024. Apesar de ter participado da preparação, acabou não participando do campeonato para se dedicar ao Portimonense, time português que atuava na época. A desistência chegou a ser considerada proposital por parte do clube, mas o ponta-esquerda logo voltou à seleção cabo-verdiana, dizendo ter muito orgulho de ser parte do time e sentir muito por não ter participado anteriormente.

Agora, Hélio é o responsável pelo gol de empate de Cabo Verde que os mantém elegíveis para a segunda fase da Copa do Mundo.
A partida foi a estreia do atleta no torneio, já que não participou do primeiro jogo e iniciou o segundo como reserva. Entrando em campo aos 13 minutos do segundo tempo, empatou o placar aos 15 minutos. Varela encontrou o gol praticamente vazio após um erro de Fernando Muslera, goleiro do Uruguai. "Marcar meu primeiro gol pela seleção logo na minha estreia no Mundial é incrível, não tenho palavras”, comemorou o atacante.
Com o empate, a seleção se torna a sétima estrante na história das copas a iniciar uma campanha sem derrotas nas duas primeiras partidas e mantém a oportunidade de chegar ao mata-mata, dependendo do resultado do seu terceiro jogo.
Caso vença, a seleção africana avança sem precisar se preocupar com resultados dos rivais. Caso empate, dependerá de uma vitória da Espanha contra o Uruguai para passar em segundo lugar.
O jogo entre Cabo Verde e Árabia Saudita acontece em 26 de junho às 21h no NRG Stadium, no Texas. Todos os jogos da Copa do Mundo da FIFA 2026 são transmitidos pela Cazé TV no Youtube e Disney+.

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